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quinta-feira, 23 de junho de 2011

EVANGELHO DO DIA

Ano A - Dia: 23/06/2011

 
Eu sou o pão vivo que desceu do céu


Jo 6,51-58


"Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo". Os judeus discutiam entre si: "Como é que ele pode dar a sua carne a comer?" Jesus disse: "Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por meio do Pai, assim aquele que de mim se alimenta viverá por meio de mim. Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram - e no entanto morreram. Quem se alimenta com este pão viverá para sempre". 

Fonte: Paulinas.org

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dia de Santo Antônio



Santo Antônio nasceu em Lisboa (Portugal) entre 1191 e 1195, (aceita-se oficialmente a data de 15 de Agosto de 1195), com o nome de batismo Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo. Era filho de pais ilustres: Martinho de Bulhöes, cavaleiro do rei Afonso II de Portugal, e Maria Teresa, aparentada com Failo I, o quarto rei das Astúrias.

Aos 15 anos entrou para um convento agostiniano, primeiro em Lisboa e depois em Coimbra. Em 1220 trocou o nome para Antônio e ingressou na Ordem Franciscana.

Fiel imitador de Cristo, humilde, carismático e taumaturgo, foi um exímio pregador do Evangelho. Amante da pobreza e dos pobres, defendia os deserdados e explorados.

Discípulo de São Francisco, seu pai espiritual, Antônio também amava a natureza e a solidão. Quando não era ouvido pelas pessoas, dirigia-se às aves e aos peixes.

Passava muitos dias em meditação e oração em lugares afastados, longe do barulho e da agitação das cidades.

Enquanto rezava em um desses eremitérios, recebeu a visita do Menino Jesus. Em razão dessa aparição, Santo Antônio é representado carregando o Menino Jesus nos braços.

O lírio que aparece nos braços ou nos pés, é o símbolo da pureza. A sua mensagem de fé e de amor para com Deus e a sua caridade para com os pobres continuam atuais.

Antônio morreu a caminho de Pádua em 13 de junho de 1231. Foi canonizado em 13 de maio de 1232 (apenas 11 meses depois de sua morte) pelo papa Gregório IX.

Santo Antônio tem fama de casamenteiro. Dizem que as simpatias evocadas em seu nome dão certo. Claro que tudo isso faz parte das supertições bem características do povo brasileiro (talvez pela mistura de raças e crenças, não sabemos).

Aprofundamentos:

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

LITURGIA


AMÉM


Amém é uma palavra de origem hebraica que passou para o uso dos cristãos em suas preces. Sua tradução mais comum na língua portuguesa é: assim seja.


Entre os inúmeros “Améns” encontrados na Liturgia, há um muito especial na Celebração Eucarística: a solene aclamação que encerra a Oração Eucarística. É sobre esse que queremos fazer algumas considerações. No passado recente não era incomum a assembléia rezar junto, e muitas vezes a convite do celebrante toda doxologia[1], resultando numa aclamação acanhada, sem entusiasmo algum. Hoje, graças a Deus, ao conhecimento mais profundo do Concílio Vaticano II e ao crescente interesse dos padres e fiéis pela Sagrada Liturgia, quase sempre a assembléia tem cantado só o Amém. Uns poucos insistem em cantar ou rezar toda a doxologia.


Teçamos algumas considerações.


A Oração Eucarística é uma narrativa orante e orante narrativa que faz memória, repleta de agradecimento, das intervenções do Pai na nossa História, por Cristo no Espírito Santo. A história da Aliança é apresentada e se perpetua com o “Amém” de toda assembléia que sobe ao Pai por meio de Cristo (2 Cor 1,20). Na oração eucarística o celebrante recorda com profundo agradecimento ao Pai que em Jesus Cristo se atualiza por meio do Espírito Santo: a salvação. Temos o coração agradecido ao recordarmos as maravilhas que Deus fez por nós. A conseqüência é que da gratidão vamos ao louvor, à adoração, à ousadia de pedir atualização de benefícios.


Vejamos como alguns Santos Padres da Igreja se referiam a esse “Amém”.


“Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo povo exclama, dizendo:”Amém”. (S. Justino; Apologia I, 67, tradução Paulus).


S. Jerônimo recordava-se, lá em Belém, que o Amém nas basílicas romanas, brilhava como relâmpago (Cf. PL 26, 355).


Santo Agostinho poderia ser chamado o teólogo do Amém, a palavra, segundo ele, mais importante da Missa. No seu Sermão 211 afirma que no céu daremos continuidade às grandes aclamações litúrgicas: “cantaremos Amém e Aleluia”. Para ele o Amém que encerra a Prece Eucarística é como uma assinatura que se apõe, por exemplo, a um testamento: “vosso Amém é vossa assinatura” (Sermão, 48; 272, etc). Em sua diocese de Hipona, tal era a convicção dos fiéis que as colunas do templo tremiam ao rezá-lo.


A Instrução Geral do Missal Romano, no número 147, afirma:


“O Sacerdote inicia a Oração eucarística. Conforme rubrica, ele escolhe uma das Orações Eucarísticas do Missal Romano, ou aprovadas pela Santa Sé. A oração eucarística, por sua natureza, exige que somente o sacerdote, em virtude de sua ordenação, a profira. O povo, por sua vez, se associe ao Sacerdote na fé e em silêncio e por intervenções previstas no decurso da Oração Eucarística, que são as respostas no diálogo do Prefácio, o Santo, a aclamação após a consagração, e a aclamação “Amém”, após a doxologia final, bem como outras aclamações aprovadas pela Conferência dos bispos e reconhecidas pela Santa Sé”.


E, ainda, número 151: “No fim da oração eucarística, o sacerdote, tomando a patena com a hóstia e o cálice, ou elevando ambos juntos, profere sozinho a doxologia: Por Cristo. Ao término, o povo aclama “Amém”. E no número 236:“A doxologia por meio da oração eucarística é proferida somente pelo sacerdote celebrante principal e, se preferir, junto com os demais concelebrantes, não porém, pelos fiéis”.


A Comissão Litúrgica da CNBB, no Guia Litúrgico Pastoral, insiste:

“Não se enfraqueça a força do “Amém” final da oração eucarística pela recitação da doxologia, pois este “Amém” é a ratificação pela assembléia de toda ação de graças e súplica que o sacerdote dirige a Deus, em nome de todos, na oração eucarística”(pág.22).


O meu caro leitor já deve ter percebido que o solene “Amém” com que encerramos a Prece Eucarística não é um simples assentimento a uma narrativa, mas compromisso pessoal de ser Amém, plena associação e participação, na renovação da Nova e Eterna Aliança. Um belíssimo texto de Jean-Marie Roger Tillard faz a seguinte referência:


“Mas nesse Amém tem sua fonte todos os Améns espalhados pela vida cristã; e nele todos são reunidos pelo ministro e oferecidos ao Pai na Ação de Graças, levando consigo todos os solos humanos que eles semearam. O Amém que encerra a anáfora é assim o do Corpo de Cristo recebendo-se como corpo no louvor, na gratidão, na adoração e na confissão de Deus”. (EUCARISTIA – Enciclopédia da Eucaristia, Paulus, S. Paulo pág.553).


Amém é adesão à narrativa feita pelo celebrante, é apoio ao que foi rezado. Que ele seja prece com o coração, com a boca e com a vida. (Cf.Santo Agostinho; Comentário aos Salmos 149). Comecemos o nosso treino coral, aqui na terra, para nos associarmos ao coro celeste, cantando “Amém”.


[1] Doxologia (do grego ‘doxa’, isto é glória) é uma aclamação de louvor (hino de glorificação), muito comum na Sagrada Escritura e na Liturgia.


Dom Paulo Francisco Machado

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

LITURGIA


Uma das mais dúvidas mais comuns refere-se ao que rezar durante a apresentação da hóstia consagrada e do cálice após a narrativa da instituição eucarística.


Quero, em primeiro lugar, esclarecer que não sou dono da Liturgia, essa é um dom preciosismo do Espírito Santo à Igreja de Cristo.


Na oração eucarística toda intervenção espontânea, devocional é inoportuna e proibida. A Igreja é muito ciosa dela. Há algumas intervenções da assembléia que são previstas, em especial, uma das mais importantes é aquela logo após a narrativa da instituição. Nesse caso temos três intervenções com as fórmulas previstas.


Não convêm introduzir na Santa Missa, mormente na oração eucarística, elementos devocionais, mesmo os relacionados à eucaristia. Importa estarmos ouvindo atentamente, com o coração, o memorial, a recordação de todos os benefícios divinos a toda humanidade e a seu Povo Santo. É a história da Salvação, é o Testamento da Aliança que é narrado, e há de ser ouvido com todo cuidado, para que não se perca uma única palavra.


Este não é o momento de se rezar jaculatórias com a assembléia, introduzir devoções pessoais, é Cristo e sua esposa, a Igreja, seu Corpo, que se dirige ao Pai de infinita bondade. No instante da apresentação do Corpo do Senhor e do Cálice com o seu Preciosismo Sangue o que fazer?


Será importante participar, olhando, tudo o que se passa no altar. É o Mistério Pascal que estamos celebrando na força da fé, pela atuação do Espírito Santo sobre as oblatas, somos chamados a fazer a experiência fundante de nossa Vida Cristã: 1- Somos levados, misteriosamente, aos pés da Cruz de nosso Redentor para contemplar o Traspassado, que “elevado da terra”, nos atraiu a Si e, com o coração agradecido, reconhecemos o Infinito Amor do Pai que nos deu seu Filho Único; 2- Somos transportados até o sepulcro vazio e encontrando o Ressuscitado, temos a certeza de que o amor venceu a morte; 3- Celebramos o Mistério Pascal para, imbuídos de sua força, reproduzir em nossa vida, a vida do Senhor, viver na fraternidade, aprender que Missa é Missão e, Eucaristia, Fração do Pão, Comunhão.


Penso ser oportuno apresentar um pequeno texto de Jesús Castellano na sua obra Liturgia e Vida Espiritual: “Contemplar a Eucaristia não é fixar o olhar no pão e no cálice, mas também se deixar maravilhar pela fragilidade dos sinais e pela plenitude da realidade salvífica que contém, ouvindo, concentrados na Eucaristia, todas as palavras da revelação que dão sentido a esse mistério do pão partido e do vinho derramado no cálice, mistério pascal do corpo e sangue gloriosos do Senhor, no qual toda a história da salvação se concentra e se oferece, como toda se concentra e se oferece em Cristo crucificado e ressuscitado que nele próprio torna-se presente.


Mas, diante de tanta beleza celebrada, que fórmula vou rezar? – Na apresentação da Hóstia consagrada nenhuma. A profunda admiração deixa-nos boquiabertos e, o silêncio torna-se adoração. Após a consagração, sim, a Igreja convida a assembléia a se manifestar mediante uma aclamação do Mistério da Fé. Aqui convêm recordar o que foi escrito no Guia Litúrgico – Pastoral, editado pela CNBB: “Ao menos nos domingos e nos dias festivos, cante-se em tom de exaltação a aclamação memorial. Esta aclamação nunca pode ser substituída ou seguida por cantos e expressões devocionais (“Bendito, louvado seja”; “Deus está aqui”; “Eu te adoro, hóstia divina”; “Graças e louvores se dêem a todo momento” etc.).


Dom Paulo Francisco Machado

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

LITURGIA

O “Grande Livro”

Dom Paulo Francisco Machado


Um dos mais belos frutos do Vaticano II com a Constituição Sacrosanctum Concilium, sobre a Sagrada Liturgia, foi incrementar ainda mais no fiéis o amor à Palavra de Deus. A cada dia mais se venera a Sagrada Escritura como lugar de especial encontro com Jesus, pois “o desconhecimento das Escrituras é desconhecimento de Cristo”, dizia São Jerônimo.

A Sagrada Liturgia procura nos instruir, chamando a nossa atenção para fazer da Bíblia o nosso grande livro de espiritualidade, promovendo aquele encontro pessoal com o Senhor, para Dele nos tornarmos discípulos e nos lançarmos, com maior ânimo, na missão a todos nós confiada: “Ide, pelo mundo inteiro...”

Alguns ritos da Liturgia nos ensinam a amar a Palavra de Deus. Na procissão de entrada, o diácono porta respeitosamente e, à vista de toda a assembléia, o Evangeliário. Ele o carrega fechado e como um ostensório. Assim nos esclarece que somos chamados a venerar a Palavra de Deus, como veneramos e amamos o Corpo Eucarístico do Senhor. O Grande Livro dos atos e palavras de Cristo é depositado fechado no altar.

Nas nossas celebrações, mesmo nas mais simples capelas, não é raro assistir, antes do início da primeira leitura, a procissão de entrada do Lecionário. Comumente, ao menos é essa a minha experiência, o livro vem aberto. Aqui, cabe-me chamar a atenção para um ponto. Ás vezes, a equipe de liturgia é tão criativa na apresentação do Lecionário ou da Sagrada Escritura, que acaba por distrair os fiéis com espetáculos de danças, músicas, e até mesmo, verdadeiros shows pirotécnicos. Penso que não é nada oportuna essa apresentação teatral “apoteótica”, pois se torna obstáculo para o cristão preparar no fundo do coração aquela terra apta para acolher a boa semente da Palavra.

De forma bem clara a Liturgia vai nos ensinando com que respeito e veneração os cristãos cercam os seus livros sagrados: entre luzes ela é conduzida até o ambão, é incensada, tem sua página traçada com o sinal da cruz, é beijada, adornada com uma bela capa. Por isso é lastimável que a proclamação da Palavra seja feita a partir de um jornal ou de uma folha. Nas missas mais solenes, após a proclamação do evangelho, o bispo abençoa o povo com o Evangeliário (IGMR 175). O Lecionário é honrando na Liturgia como o próprio Corpo do Senhor (DV, 21; cf IGMR,29).

A partir desta pista, creio que já podemos oferecer uma reflexão sobre a forma de se conduzir o Lecionário – deveria ser esse e não a Bíblia - nas Celebrações Litúrgicas: o Grande Livro deveria estar fechado.

Eis um argumento tomado do Evangelho segundo Lucas (Lc 4,17.20). Os gestos de Jesus nos mostram com que carinho e veneração era tratado o Livro Sagrado. Aí fala-se em “desenrolar o livro”, portanto o Livro do profeta Isaías estava fechado, e no mesmo estado permanecerá após a sua leitura na sinagoga de Nazaré. Penso que esse não é um gesto meramente funcional de quem deseja preservar o livro, mas demonstração de sua dignidade.

No livro do Apocalipse, que, segundo alguns exegetas, é portador dos ecos da liturgia cristã primitiva, encontramos o seguinte texto: “Eu vi também, na mão direita do que estava assentado no trono, um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos ... Então um dos Anciãos me falou: Não chores! O Leão da tribo de Judá, o descendente de Davi achou meio de abrir o livro e os sete selos” (Ap 5,1.5).

O que mais me incomoda é ouvir o inoportuno comentarista mencionando o nome do leitor(a). A assembléia não se reúne para ouvir fulano ou sicrano, mas quer que seja proclamada a “Palavra do Senhor”. No espírito de fé, temos aquela mesma disposição interior de quem um dia disse: “A quem iremos, Senhor, só tens palavra de vida eterna”.

O que jamais podemos esquecer e a Santa Liturgia de muitos modos vem nos recordar é que: “A Palavra se fez carne e veio morar entre nós”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

LITURGIA


CONCENTRAÇÃO

Uma prática indispensável para celebrar bem


Concentrar-se é uma atitude natural e indispensável antes de qualquer atividade humana importante. Indispensável para que a ação se realize da maneira mais perfeita e equilibrada possível. E quanto mais importante e exigente é, mais concentração exige. Antes de atuarem no palco, os atores de teatro se recolhem e se concentram. Os atletas, antes de entrarem em ação, mergulham em rigorosa concentração. O médico, antes de realizar uma delicada cirurgia, tem que se concentrar muito. Um músico, antes de iniciar um importante concerto, tem que se concentrar.

Concentrar-se significa “entrar em sintonia com o centro” (com aquilo que é central, essencial). Aquietar e silenciar a mente e o corpo e, libertando-se de todo “ruído” que distrai, mergulhar fundo no único foco de atenção, a saber: a beleza da ação que se vai realizar.

E na liturgia cristã? Sabemos que ela é ação por excelência. Por ela se estabelece um diálogo amoroso e comprometido (pascal) entre Deus e seu povo e vice-versa. Eis o seu centro, seu essencial. E quem são os atores dessa ação? Toda a assembléia, composta de muitos ministérios, desde quem preside até a pessoa que atua simplesmente somando com os outros pela sua presença e participação. Todos e todas, cada qual com seu papel, atuam no “teatro” da ação ritual da divina Liturgia. Supondo-se, é claro, que o ator principal é o próprio mistério de Deus.

Se a liturgia é isso, trata-se de uma atividade humana e divina de altíssima importância, a mais importante. O Concílio Vaticano II a chama de “cume e fonte para o qual tende toda a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, fonte donde emana toda a sua força” (Constituição sobre a Liturgia, n. 10). E, portanto, se assim é, não exigiria ela (sobretudo ela!) dos seus atores uma concentração prévia muito mais intensa? Com certeza que sim! Para que todos participem de fato da liturgia de maneira plena, consciente, ativa, externa e interna (exterior e interior), fácil, piedosa e frutuosa, como é desejo da Igreja (cf. idem, n. 11, 14, 18, 19, 21, 27, 30, 41, 48, 50, 53, 55, 79, 100, 114, 118, 121, 124 etc.), é mais que natural que haja por parte de todos os atores da celebração um momento de cuidadosa concentração prévia.

A Instrução Geral sobre o Missal Romano alude a isso, usando a palavra “silêncio”: “Convém que já antes da própria celebração se conserve o silêncio na igreja, na sacristia, na secretaria e mesmo nos lugares mais próximos, para que todos se disponham devota e devidamente para realizarem os sagrados mistérios” (n. 45).

Em muitas comunidades já está se adotando o costume de um momento de concentração antes de iniciar a celebração litúrgica. O sacerdote se recolhe em oração pessoal; diante de Deus aquieta o seu coração. Há sacerdotes que costumam se juntar aos demais ministros, na sacristia ou à porta de entrada da igreja, para um momento silencioso de oração, pedindo ao Espírito Santo a sabedoria para o exercício de cada ministério... Na própria assembléia se canta um refrão meditativo... Tudo vai criando um clima de compenetração para a grande ação humana e divina, a celebração da divina Liturgia.

A qualidade orante da participação litúrgica, então, só tem a ganhar e o povo com certeza agradece...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

LITURGIA


SAUDAÇÕES E ACLAMAÇÕES NA LITURGIA DA MISSA

Uma crônica de Dom Helder Câmara, publicada em “Um olhar sobre a cidade” que reúne suas meditações matinais lidas pela Rádio, quando Arcebispo de Recife, trata do apelo e saudação no início da oração sacrifical: “Corações ao alto!” e comenta: “palavra fácil de ouvir. Mas, já experimentaram ajudar corações a elevar-se?”

E, na continuidade, fala de corações cheios de revolta, avaros, gelados e conclui: “Corações ao alto! Que esta expressão seja em nossos lábios uma prece...” para que o nosso e todos os corações se elevem ao nosso Pai Celeste.

Na correria do dia-a-dia, perdemos, por falta de tempo, ou por desperdício de tempo, a oportunidade de nos deliciar com as maravilhas de Deus. “Corações ao alto!” é um convite da liturgia para nos desligarmos do tempo, embora ainda no tempo, e nos concentrarmos no mistério da morte redentora de Cristo, pela qual rendemos a Deus louvor e ação de graças.

São muitas as aclamações e apelos na liturgia. Povo sacerdotal, nossa participação na missa não se reduz a uma assistência passiva.

Na continuidade da oração eucarística, elevando nosso coração para as alturas, somos convidados a cantar a glória de Deus que enche o universo. O profeta Isaías foi conduzido a contemplar o esplendor divino. E descreve: sua presença enchia o santuário, enquanto se ouviam as vozes dos Serafins que clamavam: ”Santo, santo, santo é Javé dos exércitos. Sua glória enche toda a terra” (cf. Is. 6, 1-3).

A oração eucarística tem três pontos essenciais, a que a liturgia nos chama à participação. A súplica para Deus que aceite nossas ofertas - “Recebei, Senhor, nossas ofertas” -, a invocação ao Santo Espírito para que desça sobre elas a fim de que se tornem o Corpo e Sangue de Cristo e nos una num só corpo –“Manda vosso Espírito Santo” - e a lembrança viva da morte e ressurreição do Senhor que é atual no altar e, também, a lembrança de toda a comunidade dos fiéis, dos que já estão junto de Deus, a Igreja triunfante e a padecente e a Igreja peregrina neste mundo. Após a consagração, nós afirmamos nossa fé no mistério redentor. Não é um momento para outros cânticos, mesmo de adoração. É uma confissão solene de fé, seguida dos pedidos pela Igreja – Lembrai-vos de vossa Igreja, lembrai-vos de vossos filhos. E, na conclusão desta oração, após a doxologia pronunciada pelo sacerdote, respondemos Amém, sintetizando, como ensina Santo Agostinho, toda nossa adesão e participação no sacrifício.

Redimidos pela cruz, podemos invocar a Deus, como Jesus nos ensinou, chamando-o de Pai. Ele nos dá a paz pelo seu Filho, se aceitarmos o convite de amar nossos irmãos e de pedir-lhes perdão.

Ensina Santo Tomas que “quem oferece o sacrifício dele deve participar (cf. Suma, 3, q.82 4c). O presidente da celebração nos chama a receber as nossas ofertas agora transubstanciadas no Corpo e Sangue do Senhor.

Também na liturgia da Palavra, devemos ser ouvintes atentos e aclamá-la com nossa ação de graças e louvor ao Cristo no cântico do Alleluia e no final do Santo Evangelho.

A todo o momento somos chamados à participação, para a confissão de nossos pecados, para rezarmos pelas necessidades de cada dia e de cada tempo e naquela saudação muitas vezes repetida: “O Senhor esteja convosco”, a que respondemos com a certeza de que Ele está entre nós, pois “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” nos afirmou Jesus no Evangelho.

Muitas vezes, a título de ser mais comunicativos, alteramos a fórmula consagrada na liturgia. Certo se conservar o respeito e o sentido, não se rebaixando ao vulgar e ao popularesco.

São Paulo e os Sinóticos nos lembram que Jesus ao instituir a Eucaristia, mandou que o fizéssemos em sua memória. Toda a liturgia da missa se reporta àquela hora e ao momento em que, na cruz, realizou a nossa redenção. Não é, pois, um show ou mesmo a representação de um drama.

Na alegria vamos à Casa de Deus e, como um povo que participa da realeza e do sacerdócio de Cristo, oferecemos, por Ele, com Ele e nele, Pontífice segundo a ordem de Melquisedeque, todo o universo remido por seu sangue, aguardando com fé a parusia.

Dom Eurico dos Santos Veloso
-
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora/MG

sábado, 26 de julho de 2008

LITURGIA

CNBB coloca limites aos “comentários” na Missa

Nota da Comissão de Liturgia sobre os Folhetos Litúrgicos

Nota da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia aos redatores dos “folhetos litúrgicos” a respeito das monições (comentários) antes da Liturgia da Palavra.


A COMISSÃO Episcopal Pastoral para a Liturgia (CEPL) realizou, nos dias 02 e 03 de julho de 2007, em Aparecida, São Paulo um encontro com os responsáveis pelos “folhetos litúrgicos” do Brasil.

O assunto estudado e debatido pelos participantes, com a ajuda de nossos assessores, foram os “comentários” apresentados nos folhetos litúrgicos em diversos momentos da celebração.

Com o pleno consenso dos participantes do referido encontro, a CEPL faz um apelo a todos os responsáveis pelos folhetos litúrgicos para que se apresente apenas um comentário para introduzir a Liturgia da Palavra, com a finalidade de preparar e dispor os fiéis a ouvirem atentamente as três leituras (1a. leitura, 2a. leitura e Evangelho). Assim não mais se teria, separadamente, um comentário para cada uma das leituras.

Optamos por essa decisão, para darmos mais valor à Palavra proclamada. Esta não pode ser interrompida ou intercalada com comentários e explicações que quebram sua unidade e o ritmo da celebração. A explicação e a atualização da Palavra devem ser feitas em seu local próprio, a homilia.

A assembléia litúrgica não é apenas destinatária da ação litúrgica, mas é protagonista, povo sacerdotal, não dependendo de “palavras de ordem” para participar. A liturgia não é apenas “palavra” mas uma ação ritual-simbólico-sacramental. Por isso, muito mais do que um “comentário”, é a atitude do leitor, do salmista, do diácono ou do presidente da assembléia que vai ajudar para que a Palavra seja ouvida e acolhida. Neste contexto, para uma frutuosa proclamação e acolhida da Palavra, adquirem muita importância o ambão, sua localização e sua ornamentação; um bom microfone; a veste litúrgica própria dos leitores, um refrão orante.

Na celebração litúrgica, as “introduções” prestam o serviço de “iniciar”, despertar, dispor a assembléia para a escuta atenta da Palavra. Para usarmos um termo dos Meios de Comunicação Social, estas “introduções” poderiam ser comparadas às “chamadas” que anunciam e preparam a assembléia para a escuta do Senhor.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

LITURGIA

A importância do Sinal da Cruz

As celebrações, as orações dos cristãos normalmente se iniciam com o sinal da Cruz. São inesquecíveis, para tantos, as primeiras perguntas dos antigos catecismos:

És cristão?

- Sim, sou cristão pela graça de Deus.

Qual o sinal do cristão?

- O sinal do cristão é o sinal da cruz.

Vai aqui para deleite, instrução, enriquecimento espiritual um belo texto de consagrado autor e profundo conhecedor da Divina Liturgia: Romano Guardini.


O SINAL DA CRUZ


Quando fizeres o sinal da Cruz, faze-o bem feito. Não tão depressa e contraído que ninguém o saiba interpretar. Uma verdadeira cruz, pausada, ampla, da fronte ao peito, do ombro esquerdo ao direito. Não sentes como te abraça por inteiro? Procura recolher-te; concentra nela teus pensamentos e teu coração enquanto a vais traçando da fronte ao peito e aos ombros e verás que te envolve o corpo e a alma, se apossa de ti, te consagra e santifica.


E por quê? Porque é sinal de totalidade e sinal de redenção. Na cruz o Senhor redimiu a todos e pela cruz santifica o ser humano até sua última fibra. Por isso a fazemos ao começar a oração, para que ordene e componha nosso interior, encaminhando a Deus pensamentos, afetos, desejos e, ao terminá-la, para que ele nos fortaleça; nos perigos, para que nos defenda; na bênção, para que, penetrando a plenitude de vida divina em nossa alma, fecunde quanto nela exista.


Considera estas coisas sempre que faças o sinal da Cruz. Sinal mais sagrado não existe. Faze-o bem: pausado, amplo, com esmero. Então ele abraçará plenamente teu ser, corpo e alma, pensamento e vontade, sentido e sentimento, atos e ocupações; e tudo ficará nele fortalecido, assinalado e consagrado no poder de Cristo e em nome do Deus uno e trino.


Dom Paulo Francisco Machado -
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Juiz de Fora/MG

sábado, 14 de junho de 2008

LITURGIA

Caros irmãos e leitores: Começamos hoje uma jornada de publicações sobre o tema: LITURGIA. Quão importante é termos a nossa fé iluminada pela nossa capacidade de entendermos o que experimentamos. Quantas celebrações, quanto momentos vividos em nossa comunidade sem termos a clarividência do que vivemos. O espaço "liturgia" contribui para quem queira entender um pouco como se dá, através da liturgia, "a ação de Cristo em nosso meio". APROVEITEM !!

Caros irmãos e amigos,


O que é Liturgia?

Em muitos documentos da nossa Igreja católica, podemos encontrar algumas definições que nos levam a essa resposta. Para isso, vamos entender o que celebramos e o que acreditamos.


Liturgia, palavra de língua grega que significa: ação do povo, ação em favor do povo. É essa ação que reuni o povo, através de sua fé, e em comunhão com toda a Igreja espalhada pelo mundo todo, para celebrar o Mistério Pascal – fazendo memória da morte e ressurreição de Cristo.


Dentro uma perspectiva de proximidade do povo, o Concílio Vaticano II (Sacrossanctum Concilium), definiu Liturgia como: “uma ação sagrada pela qual através de ritos sensíveis se exerce, no Espírito Santo, o múnus sacerdotal de Cristo, na Igreja e pela Igreja, para a santificação do homem e a glorificação de Deus” (cf SC, 7).


Com essa definição, podemos perceber a ação de Cristo em nosso meio, e a revelação do seu mistério. Há uma relação de amor e fé que nos leva à comunicação de Deus. Essa comunicação se faz por Cristo e em Cristo, através dos sinais e símbolos visíveis a todos nós, através dos ritos. Lembramos dos ritos que a nossa liturgia nos remete – Ritos iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Eucarística e Ritos Finais.


É através desses ritos que Deus nos comunica e a sua ação se faz presente em nosso meio. Cristo age e contínua agindo em nosso meio, nos lembrando da nossa missão de batizados; sendo Ele o próprio oferente e oferta, imolado em nosso altar. Sua ação é manifestada em toda a sua Igreja.


Há dois movimentos em cada ação litúrgica: a santificação e a glorificação.


A santificação através de Deus para com o homem: revelando-nos o seu plano de amor, justiça e solidariedade para com todos.


A glorificação através do Homem para com Deus: agradecendo e dando glórias a Deus pelos imensos benefícios oferecidos por Ele a nós povo santo e pecador.


É preciso que a nossa consciência nos ajude a refletir esses dois movimentos, para assim nos impulsionar no projeto da salvação. Esse impulsionar, é despertar o nosso olhar para as misérias, injustiças e contradições que vivem o nosso povo.


É como diz São Bento: Et Ora Labore – Oração e Trabalho. E também a carta de São Tiago: (Tg 1,17) “Assim também é a fé: sem as obras, ela é completamente morta”.


Portanto, quando nos reunimos liturgicamente em assembléia, faz-se a necessidade de levarmos em consideração dois pontos fundamentais da nossa fé: eucaristia e vida. Esses dois pontos andam juntos no nosso dia-a-dia.


Celebremos a ação litúrgica do memorial da paixão e ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

José Roberto P. da Cunha -Prof. de Filosofia / Ministério de Crisma