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sábado, 19 de junho de 2010

Uma tarde com Saldanha

Ontem (17) conheci um Senhor muito simpático e cheio de vida no auge de seus 92 anos, falo de José Saldanha Menezes Sobrinho, ou simplesmente Zé Saldanha, como gosta de ser chamado, é o cordelista mais velho em atividade no Rio Grande do Norte, um dos poucos da sua idade exercendo a Literatura de Cordel no Brasil. 

Nascido e criado na Fazenda Piató, em Santana dos Matos, mudou-se várias vezes de casa com a família até fixar residência em Natal, mas nunca deixou de ser um matuto sertanejo, ligado às suas raízes.

O primeiro folheto foi "O preço do algodão e o orgulho do povo", publicado em 1935, aos 17 anos. "O algodão era a riqueza da época, chamava-se o ouro branco do Nordeste".

Fiquei surpreendida com suas colocações acerca da vida e das composições que segundo Zé, são diárias.

Amante do computador, ao contrario do paraíbano Ariano Suassuna que não abre mão da máquina de datilografar, o cordelista disse que aos 80 fez um curso e até hoje usa a máquina na hora de compor.

Deixo com vocês um trecho de um dos cordéis dos mais de 200 já publicados, com muito humor, deste Senhor muito bem disposto a pregar a cultura popular do nosso estado.

Viva a Zé!
Viva a literatura de cordel!
Viva a vida aqui representada em poesia! 

MATUTO NOS AVIÃO
Lembrança do autor, de sua viagem à Brasília.

Me dero uma passage, dotô
Viagei de aeroprano
Muito pro riba das nuve
Bem perto do soberano
Eu dissi: eita matutão
Viagei ai de avião
Purriba dos aceano...

Sô matuto veio, dotô
Mais sô cabra de cartaz;
- Incontrei nos avião 
Uma moça e um rapaz
Com a maió aligria
Tudo me dando bom dia
Meus amigos até de mais.

A moça dos avião
Bonita como as arora;
Veio me trazê um prato
Bem preparado na hora
Falou comigo contente 
Mais cafala deferente
Dessas línguas lá de fora; 

A comida era bôa e bem feita
Mais tava um pouquinho insouça;
Porém eu sou prevenido
Trazia sá numa bossa
Sarguei e miti o pau
Mais veio um ta de curau
Num gostei do curau da moça...

... 

Viviane Rodrigues

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O natal está chegando!





É momento de reflexão, de nascer e renascer.

Ontem o nosso "Natal em família" foi em casa. Um momento para conversar, olhar nos olhos e pensar em gestos concretos. Iniciamos uma prática que merece ter continuidade, afinal o ano é repleto de trabalhos e com eles suas consequências.

"Feliz o homem que têm amigos e os cultiva"; feliz somos nós que hoje formamos uma comunidade atuante de pessoas que se sentem felizes por amar o que fazem.

Ofereço essa canção a todos que compõe essa grande família.

Com vocês:  Amigo é só me chamar

Viviane Rodrigues




Amigo é só me chamar
Feche o olhos vou te encontrar
Onde estiver te ouvirei
Eu oro pra que você
Tenha unção tenha força...

Amigo é
A familia que se escolhe
Meu amigo é
A alma que a minha acolhe

Eu escolhi estar com você
Nossa amizade não há de se perder
Eu escolhi crescer com você
A nossa história o céu vai escrever

Amigo é só me chamar
Feche o olhos vou te encontrar
Onde estiver te ouvirei
Eu oro pra que você
Tenha unção tenha força
Amigo eu te dou minha capa.

O nosso Deus é cúmplice de nós
Se a dor chegar quero ser a sua voz
E quando a cruz pesar pra valer
Pode chamar eu vou chorar com você.


Composição: Celina Borges

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Leitura, texto e sentido

Para ler, sorrir e aprender!

Fui à água doce cachaçaria e tomei uma cachaça da boa, mas tão boa que resolvi levar dez garrafas para casa, mas Dona Patroa me obrigou a jogar tudo fora.
Peguei a primeira garrafa, bebi um copo e joguei o resto na pia.
Pegue a segunda garrafa, bebi outro copo e joguei o resto na pia.
Peguei a terceira garrafa, bebi o resto e joguei o copo na pia.
Peguei a quarta garrafa, bebi na pia e joguei o resto no copo.
Peguei o quinto copo, joguei a rolha na pia e bebi a garrafa.
Peguei a sexta pia, bebi a garrafa e joguei o copo no resto.
A sétima garrafa eu peguei no resto e bebi a pia.
Peguei no copo, bebi no resto e joguei na pia na oitava garrafa.
Joguei a nona pia no copo, peguei na garrafa e bebi o resto.
O décimo copo, eu peguei a garrafa no resto e me joguei na pia.
Não me lembro do que fiz com a Patroa!

aspas1
Observemos que até a quinta linha o texto progride sem "estranhamento". Da sexta linha em diante, a disposição dos termos na oração nos chama a atenção por ser semanticamente inaceitável, segundo o nosso conhecimento de mundo. Isso é uma pista importante para a produção de sentido do texto, quanto mais o sujeito bebe, mais se embriaga; quanto mais se embriaga, mais comete "incoerências".
aspas2

separador
As produções dos sentidos dos textos são cada vez mais temas dentro e fora dos meios de comunicações e das academias. Essas preocupações não devem ser apenas dos professores como também dos jornalistas (Redatores) e profissionais da escrita.
Viviane Rodrigues

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Os potiguares acariocados?

Ontem estava a caminho da universidade, peguei o ônibus como de costume e ao chegar nas proximidades do alecrim, um grupo de alunos a caminho de casa (imagino) adentram. Quando todos se acomodaram, uma garota rapidamente fez uma ligação.

  • Onde você está?

  • ….....................

  • Não volte pra escola!

  • ….....................

  • A máfia pegou “Diogo”!

  • …....................

  • Deram uma pisa nele (bateram)... e estavam armados.

  • …....................

  • Está me ouvindo? Não volte pra escola, vá para casa!

Domingo ao retornarmos para casa – pós-núcleo - eu e alguns amigos estávamos a discutir o medo e a violência que paira na cidade maravilhosa (Rio de janeiro). A guerra estabelecida pelas gangues em busca dos morros a cada dia envolve pessoas que, sem escolhas, são absorvidas por tamanha violência.

E a nossa princesa do sol? Será que está a preparar seus próprios morros? dentro de suas escolas?

Ontem, minha professora estava a falar sobre “o narrador”, e suas colocações se passavam através da obra de Nikolai Leskov - por Benjamin, que diz: “A morte é a sanção de tudo o que o narrador pode contar”. Um colega de sala completou a discussão dizendo: -nós somos os moribundos! hoje não sabemos quando morreremos, se por morte natural ou pela violência.


E agora amigos, o que fazer com essa tal violência?


Viviane Rodrigues