sábado, 19 de junho de 2010

No Caminho Com o Mestre

O primeiro passo é saber quem ele é, qual o seu projeto e que compromisso assumir para conseguir seguir o seu trajeto. Sabemos não ser uma via tão fácil, sem consequências exigentes para a vida. Tanto é verdade, que muitas pessoas preferem ficar no ostracismo, no anonimato e fechadas em seu mundo.
O Mestre Jesus é rejeitado quando os desafios são apresentados de forma clara. O caminho é de renúncia, de sofrimento e de coragem. O seguimento supõe opção de vida, um ato propriamente de fé e de certeza da evidência dos frutos daí conquistados. A verdadeira felicidade passa pela conquista, nas dificuldades.
O projeto do Mestre é de salvação. Está na sua base a capacidade do serviço, da doação da própria vida por amor a um fim. Isto se torna sinal de esperança e de conquista do sentido profundo da vida. Como disse Jesus: “Se alguém quer vir após mim, tome sua cruz, cada dia, e siga-me” (Lc 9, 23). É passo de fidelidade.
A falta de fidelidade desabona a vida de muitas pessoas. Podemos falar de fidelidade cristã, partidária, profissional, política, amizade etc. Entram em jogo os interesses individuais, sem abertura para o comunitário, sacrificando os objetivos concretos do bem comum, que são para o bem de todos.
O mundo precisa passar por uma conversão radical para agir conforme as propostas do bem. Sem isto não teremos verdadeira esperança e vamos continuar vivendo as situações de morte, que têm crucificado tantas pessoas. Não é este o caminho querido pelo Mestre.
Estamos num momento de desconfiança, de insegurança e de medo. Parece que o sentido real da responsabilidade pessoal está em crise. É o mundo da violência e do medo. Temos medo dos estranhos, dos marginalizados, dos presos, dos políticos etc.
É fundamental defender a vida do povo. Foi este o caminho do Mestre, mas que deve ser praticado pelos seus seguidores. Esta tarefa está nas mãos das autoridades, dos pais, dos políticos, dos governantes e da responsabilidade de toda a sociedade.

Dom Paulo Mendes Peixoto


Evangelho Do Dia

Ano C - Dia: 19/06/2010


"O Pai cuida... confie!"
Mt 6,24-34
- Um escravo não pode servir a dois donos ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro.
- Por isso eu digo a vocês: não se preocupem com a comida e com a bebida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir. Afinal, será que a vida não é mais importante do que a comida? E será que o corpo não é mais importante do que as roupas? Vejam os passarinhos que voam pelo céu: eles não semeiam, não colhem, nem guardam comida em depósitos. No entanto, o Pai de vocês, que está no céu, dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os passarinhos? E nenhum de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso.
- E por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como essas flores. É Deus quem veste a erva do campo, que hoje dá flor e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que ele vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena! Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: "Onde é que vamos arranjar comida?" ou "Onde é que vamos arranjar bebida?" ou "Onde é que vamos arranjar roupas?" Pois os pagãos é que estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades. 




Comentário do Evangelho
Servir a Deus é assumir o seu projeto
O projeto vivificante de Deus contrasta com os projetos de enriquecimento. O servir é a expressão do amor. Quem serve a Deus ama a Deus. Quem serve ao dinheiro ama o dinheiro. Servir a Deus é assumir o seu projeto de comunhão no amor, de misericórdia e reconciliação, de solidariedade e partilha. Servir ao dinheiro é inserir-se no círculo do individualismo e da ambição, confiando no dinheiro como fonte de segurança e poder. Servir ao dinheiro é consolidar esta estrutura econômica que favorece o enriquecimento de minorias, às custas da exploração das
maiorias empobrecidas, os trabalhadores, que produzem os bens, e os consumidores. A bem-aventurança da pobreza é o abandono nas mãos de Deus, que cuida dos pássaros do céu e das flores do campo. Conquista-se, assim, a liberdade para colocar- se inteiramente a serviço de Deus, na prática de sua justiça, que liberta e promove a vida.

Autor: Jose Raimundo Oliveira
fonte:paulinas.org

Uma tarde com Saldanha

Ontem (17) conheci um Senhor muito simpático e cheio de vida no auge de seus 92 anos, falo de José Saldanha Menezes Sobrinho, ou simplesmente Zé Saldanha, como gosta de ser chamado, é o cordelista mais velho em atividade no Rio Grande do Norte, um dos poucos da sua idade exercendo a Literatura de Cordel no Brasil. 

Nascido e criado na Fazenda Piató, em Santana dos Matos, mudou-se várias vezes de casa com a família até fixar residência em Natal, mas nunca deixou de ser um matuto sertanejo, ligado às suas raízes.

O primeiro folheto foi "O preço do algodão e o orgulho do povo", publicado em 1935, aos 17 anos. "O algodão era a riqueza da época, chamava-se o ouro branco do Nordeste".

Fiquei surpreendida com suas colocações acerca da vida e das composições que segundo Zé, são diárias.

Amante do computador, ao contrario do paraíbano Ariano Suassuna que não abre mão da máquina de datilografar, o cordelista disse que aos 80 fez um curso e até hoje usa a máquina na hora de compor.

Deixo com vocês um trecho de um dos cordéis dos mais de 200 já publicados, com muito humor, deste Senhor muito bem disposto a pregar a cultura popular do nosso estado.

Viva a Zé!
Viva a literatura de cordel!
Viva a vida aqui representada em poesia! 

MATUTO NOS AVIÃO
Lembrança do autor, de sua viagem à Brasília.

Me dero uma passage, dotô
Viagei de aeroprano
Muito pro riba das nuve
Bem perto do soberano
Eu dissi: eita matutão
Viagei ai de avião
Purriba dos aceano...

Sô matuto veio, dotô
Mais sô cabra de cartaz;
- Incontrei nos avião 
Uma moça e um rapaz
Com a maió aligria
Tudo me dando bom dia
Meus amigos até de mais.

A moça dos avião
Bonita como as arora;
Veio me trazê um prato
Bem preparado na hora
Falou comigo contente 
Mais cafala deferente
Dessas línguas lá de fora; 

A comida era bôa e bem feita
Mais tava um pouquinho insouça;
Porém eu sou prevenido
Trazia sá numa bossa
Sarguei e miti o pau
Mais veio um ta de curau
Num gostei do curau da moça...

... 

Viviane Rodrigues

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O HOMEMORCEGOMEM

 Por M.C. GARCIA, poeta e filósofo

NUMA decrépita Biblioteca margeada por várias mangueiras, onde raras vezes aparece alguém para estudar, apesar do espaço agradável para leitura, termina atraindo outra espécie de animal: morcegos. Estes, atraídos pelo doce cheiro dos frutos, competem com um único leitor: Memor. Homem aposentado de meia idade que faz da leitura o seu lazer exclusivo.

Naquela época do ano a velha biblioteca é um lugar que atrai apenas os noctívagos que se abrigam durante o dia. Visto que o espaço fica sempre fechado eles se sentem seguros nas salas escuras.

Ao cair da tarde, Memor gosta de desfrutar a vida lendo bons livros de literatura, de preferência romances modernistas como de Jorge Amado e outros.

Certa vez estando a sós no seu taciturno mundo de de leitura, Memor sentiu um vento frio soprar-lhe a nuca. 
Um frio que lhe correu toda espinha deixando-o com os nervos a flor da pele e o coração aterrorizado, a palpitar com o súbito. Seus cabelos e pelos dos braços arrepiados eram a denúncia do seu terror. Mas logo à sua frente, descobriu a causa de tudo aquilo.

Era um morcego que num rasante de bicho alado, peitado e danado, fora pousar num caibro,




Morre, aos 87 anos, o escritor José Saramago


O escritor português José Saramago morreu nesta sexta-feira, aos 87 anos. Prêmio Nobel de Literatura em 1998, ele faleceu em sua casa, em Tías, Lanzarote, na Espanha. 

Saramago havia tido uma noite tranquila e a morte ocorreu por volta das 8h desta sexta-feira, após tomar seu café da manhã ao lado da mulher, a tradutora Pilar del Río. Eles estavam conversando quando o escritor começou a sentir-se mal e logo depois faleceu. Nos últimos anos, ele foi hospitalizado em várias oportunidades, principalmente devido a problemas respiratórios.

Consta na bibliografia de Saramago obras como "Memorial do Convento", "O Evangelho segundo Jesus Cristo" e "Ensaio sobre a Cegueira", que virou filme sob direção de Fernando Meirelles. 

No mesmo ano em que publicou Ensaio Sobre a Cegueira, recebeu o prêmio Camões e em 1998, foi laureado com o prêmio Nobel de literatura, o primeiro dado a um escritor de língua portuguesa.

Saramago nasceu em Azinhaga em 16 de novembro de 1922, em uma aldeia ao norte de Lisboa. Em sua juventude, estudou em escola técnica e começou a escrever no "Diário de Notícias". A partir de 1976, voltou-se exclusivamente à literatura. 

Trecho retirado da obra "O evangelho segundo Jesus Cristo" obra que despertou forte polêmica em Portugal, país de grande tradição católica.

“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.”

18 de junho de 1985

                                     você sabia que     


Os astronautas do vaivém espacial norte-americano "Discovery", entre os quais um Príncipe Saudita, lançam no espaço um satélite de tele comunicações, propriedade de 21 países árabes e da Organização de Libertação da Palestina (OLP).






São Gregório João Barbarigo 1625-1697 Fundou a Congregação dos Oblatos dos Santos Prosdócimo e Antonio

São Gregório João Barbarigo
Gregório João Barbarigo nasceu em Veneza, no dia 16 de setembro de 1625, numa família rica da aristocracia italiana. Aos quatro anos de idade ficou órfão de mãe, sendo educado pelo pai, que encaminhou os filhos no seguimento de Cristo. Foi tão bem sucedido que Gregório, aos dezoito anos de idade, era secretário do embaixador de Veneza.

Em 1648, acompanhou o embaixador à Alemanha para as negociações do Tratado de Vestefália, referente à Guerra dos Trinta Anos. Na ocasião, conheceu Fábio Chigi, o núncio apostólico, que o orientou nos estudos e o encaminhou para o sacerdócio.

Quando o núncio foi eleito papa, com o nome de Alexandre VII, nomeou Gregório Barbarigo cônego de Pádua; em 1655, prelado da Casa pontifícia e dois anos mais tarde foi consagrado bispo de Bérgamo. Finalmente, em 1660, tornou-se cardeal.

O papa sabia o que estava fazendo, pois as atividades apostólicas de Gregório Barbarigo marcaram profundamente a sua época. Dotou o seminário de Pádua com professores notáveis, provenientes não só da Itália, mas também de outros países da Europa, aparelhando a instituição para o estudo das línguas orientais. E fundou uma imprensa poliglota, uma das melhores que a Itália já teve.

Pôde desenvolver plenamente seu trabalho pastoral, fundando escolas populares e instituições para o ensino da religião, para orientação de pais e educadores. Num período de peste, fez o máximo na dedicação ao próximo. Cuidou para estender a assistência à saúde para mais de treze mil pessoas.

Evangelho do dia

Ano C - Dia: 18/06/2010


Riquezas no céu
 
Mt 6,19-23
- Não ajuntem riquezas aqui na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Pelo contrário, ajuntem riquezas no céu, onde as traças e a ferrugem não podem destruí-las, e os ladrões não podem arrombar e roubá-las. Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.
- Os olhos são como uma luz para o corpo: quando os olhos de vocês são bons, todo o seu corpo fica cheio de luz. Porém, se os seus olhos forem maus, o seu corpo ficará cheio de escuridão. Assim, se a luz que está em você virar escuridão, como será terrível essa escuridão! 




Comentário do Evangelho

Deus é o Deus da vida

Este texto sobre a acumulação de riquezas fala bem fundo às raízes da ambição no coração. "Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração." O coração, na linguagem bíblica, é a expressão mais profunda do ser humano. Se seu coração está fixado nas coisas materiais, que são perecíveis, ele também se destina ao mesmo fim. O grande tesouro do céu é a vida. Se seu coração está aberto à comunhão de vida e amor com os irmãos, ele permanece para sempre vivo. Deus é o Deus da vida, e quem comunga com a vida comunga com Deus em sua eternidade. Jesus descarta a doutrina da retribuição que aflora no Primeiro Testamento. Segundo ela, Deus recompensaria os justos com riquezas e castigaria os maus com privações e sofrimentos. É o uso da religião para respaldar a ambição. O Livro de Jó já continha elementos desmascarando-a. Com a bem-aventurança da pobreza, Jesus revela o caminho da vida. Não se trata apenas de opções pessoais pela riqueza ou não. Está em questão a própria estrutura econômica da sociedade. A sociedade de acumulação de riquezas prende os ricos em suas malhas de morte e relega os pobres ao sofrimento e à exclusão.


Autor: Jose Raimundo Oliveira
fonte:paulinas.org