Entrevista de Dom Matias Patrício
Arcebispo da Arquidiocese de Natal/RN
“Nossa fé se fundamenta na Páscoa”
SARA VASCONCELOS - repórter
Esta foi uma semana de reflexões e festividades para os cristãos. Tudo em preparação para a Páscoa. Qual a importância desta data para a Igreja Católica?
A nossa fé se fundamenta nisso. Se Cristo não tivesse ressuscitado nossa fé não teria sentido, mas ele ressurgiu. Tudo que ele disse, se cumpriu. É palavra de vida. A Páscoa, a ressurreição é a razão do cristianismo. A liturgia durante a Semana Santa faz a ligação entre a morte e a ressurreição, porque é preciso passar por ela. É a celebração do mistério pascal: a paixão, a morte e a ressurreição. Porque a obra redentora de Jesus não se encerra na Cruz, mas continua na vitória da ressurreição. Todo domingo é um domingo de páscoa. E esperamos que nessa celebração da vida, todos se empenhem em implantar no mundo a cultura de vida e não de morte. Cristo ressuscitou e está vivo. E quis de uma maneira especial ficar no meio de nós, por meio da Eucaristia. A preparação, para este dia, inicia bem antes.
Ultrapassa a Semana Santa?
Esta vivência de fé é trabalhada durante toda a quaresma, desde a quarta-feira de cinzas, com o convite ao jejum, abstinência de carne, oração. Somos convidados a reviver desde a saída de Betânia à entrada em Jerusalém, onde vai acontecer o martírio. Onde foi o trono da glória dEle que é a cruz. Tudo suportado como servo sofredor, para cumprir o plano de Deus. A Semana Santa recorda e nos faz refletir sobre o significado do amor de Deus pela humanidade.
Ao contrário de anos atrás, é comum hoje se trocar o “guardar os dias santos” pelo curtir o feriadão da Semana Santa. Como o senhor vê esse enfraquecimento de tradições?
Essa troca é uma fraqueza do não viver bem a sua fé. Hoje em dia, a Igreja pede não só a prática de costumes tradicionais como o jejum, esmola, a oração, a escuta atenta da palavra de Deus. Mas a partir dos anos 60, com a campanha da fraternidade que começou aqui no Rio Grande Norte e hoje é da Igreja do Brasil, a ação social concreta. Quando se troca esse período de reserva, de meditação, de preparação para a comemoração do dia senhor faz disso algo que contraria os princípios. O feriadão pode resultar em acidentes, brigas, mortes, por conta dos excessos.
Essa mudança se deve a quê?
O mundo mudou. Hoje se busca muito o bem-estar, o individualismo, o prazer, o que satisfaz na hora. Sem a preocupação de pensar em algo superior a nós, em alguém que nos criou e deu a vida e tem um projeto de vida para nós.
Fonte: Tribuna do Norte