quarta-feira, 27 de abril de 2011

Papa Bento XVI diz na TV que não sabe explicar o porquê da tragédia no Japão

O nosso Papa, do ponto de vista religioso não sabe explicar, e não poderia mesmo, o porquê que Deus permite catástrofes como a ocorrida no Japão ou no Haiti, por exemplo. Do ponto de vista científico, oportunizamos aos nossos leitores a excelente entrevista do maior estudioso brasileiro de tragédias naturais e ambientais, Moarcir Duarte. Vale a pena assistir, principalmente porque tem tudo haver com o tema da Campanha da Fraternidade que pouco ou nada aprendemos nesta quaresma.

Nós que moramos em Natal/RN, cidade da costa brasileira, podemos ser vitimados pelo tsunami? Assistam os vídeos.




Segunda parte da entrevista, clique aqui.

Terceira parte da entrevista clique aqui.

Papa Bento XVI diz na TV que não sabe explicar o porquê da tragédia no Japão


Brasília – O papa Bento XVI afirmou hoje (22), em programa de televisão transmitido na Itália, que não sabe explicar o porquê de tragédias como o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão em 11 de março. Bento XVI fez a declaração ao responder a uma pergunta enviada por uma menina japonesa de 7 anos. Foi a primeira vez na história da Igreja Católica que um papa respondeu diretamente, pela TV, a perguntas feitas por fiéis.

"Não temos as respostas, mas sabemos que Jesus sofreu como vocês, inocente, e que o Deus verdadeiro, que se mostra em Jesus, está junto com vocês. Isto me parece muito importante, ainda que não tenhamos respostas, que a tristeza permaneça", disse o papa. "Um dia vamos entender que esse sofrimento não era vazio, não foi por acaso, mas por trás dele há um projeto bom, de amor", acrescentou.

O papa respondeu às perguntas de fiéis no programa A Sua Imagem, Perguntas sobre Jesus, que foi ao ar na Rai 1, principal canal da televisão pública italiana. As respostas de Bento XVI foram gravadas pela CTV, Centro Televisivo do Vaticano, na semana passada, na biblioteca do Palácio Apostólico.

Nas imagens, o sumo pontífice apareceu em plano bem fechado, sentado numa cadeira estofada de branco, diante de sua escrivaninha. Ele respondeu a sete questões, selecionadas entre cerca de 3 mil, enviadas por fiéis de vários países.

Uma italiana com o filho em coma há dois anos perguntou se a alma ainda está presente em seu corpo. "Certamente a alma é presente, mas é como um violão cujas cordas estão quebradas. O instrumento do corpo é frágil e vulnerável, a alma não pode tocar, embora esteja presente", respondeu o papa.

Ao falar a um fiel da Costa do Marfim, país que enfrenta uma crise, gerada após a eleição presidencial de novembro, Bento XVI fez um apelo pelo fim da violência. "Convido com força todas as partes a renunciar à violência e a procurar as vias da paz." O papa pediu ainda a paz entre as diferentes comunidades religiosas no Iraque.

Fonte: Tribuna do Norte


segunda-feira, 25 de abril de 2011

FREI JÚNIOR, SEJA MUITO FELIZ !

Frei Júnior, o nosso irmão, amigo, um dos fundadores do Grupo Luz do Mundo, nesta  segunda-feira, 25 de abril, estará viajando para passar dois anos em Roma. 
 O voo sai do aeroporto de Recife às 15h30. O avião irá fazer escala em Natal de 16h20 às 20h45.
 O primogênito de Seu Josa e Dona Marinete estará de volta em junho de 2013.

Frei Júnior, oramos e desejamos que Deus ilumine os seus passos, dê paz, amor e saúde, além de toda a felicidade que você merece nesta nova face de sua vida. Muito sucesso !



domingo, 24 de abril de 2011

A VIDA VENCE A MORTE !



Hoje celebramos a solenidade de todas as solenidades; a vitória de Jesus sobre a morte. De nada nos adiantaria termos nascido, se não tivéssemos sido regenerados. De nada nos adiantaria ter nascido para este mundo, para viver um lapso de tempo curto, e depois voltar para sempre ao nada de onde havíamos saído. Graças a Jesus Cristo, diz-nos o coração da fé Cristã, a morte transforma-se em passagem Páscoa para a Vida. Contemplemos neste dia radiante de Páscoa, o texto do quarto Evangelista. Ele o inicia com uma nota característica:

“No primeiro dia da semana”, querendo com isto fazer uma referência implícita ao Livro do Gênesis, ao primeiro dia da criação como lá se manifesta e vem narrado no capítulo primeiro versículo quinto. Com isto, deseja o Evangelista dizer que a Páscoa de Jesus é a completude da obra da criação. Deus não haveria jamais pensado em criar o ser humano, se não fosse para ressuscitá-lo e trazê-lo para si em Jesus Cristo glorificado. O Evangelista nos diz que quando ainda era noite nesse primeiro dia da semana, aquela noite iniciada com a traição de Judas, Maria Madalena foi correndo ao sepulcro. Ela não esperava a ressurreição, mas seu amor pelo Mestre era tão grande, que sentia-se melhor unida ainda a Seu cadáver. Para seu espanto e grande surpresa, o sepulcro está aberto e vazio.

Estupefata, atônita, sem saber o que se havia passado, corre a Pedro e João e dá-lhes a notícia: “Levaram o Senhor do sepulcro, não sabemos para onde o levaram.” Correm os dois, João à frente e Pedro atrás - aquele que parecia amar mais vai à frente, mas deixa a precedência para o que vinha atrás, Pedro. Entram. O discípulo amado não viu nada, mas a partir da ausência, percebeu em seu coração uma presença. Jesus não estava mais ali porque - intuiu ele - havia ressuscitado. E sequer necessitava daqueles panos e lençóis que envolveram Seu corpo.

É esta a vitória que nós celebramos. Pode alguém não aceitar a ressurreição de Cristo, os racionalistas e os ateus, como os agnósticos também. Mas ninguém pode negar que, se não tivesse havido o grito da ressurreição, se não tivesse ecoado em Jerusalém pela primeira vez naquele primeiro dia da semana: “Ele ressuscitou”, não teria existido o Cristianismo, porque o Cristianismo não se prende a um cadáver, o Cristianismo não se prende a um morto, o Cristianismo prende-se ao vivo por excelência, que é Cristo ressuscitado. E de lá para cá a Igreja não anuncia outra coisa a não ser a vitória de Jesus, a partir da morte e da sepultura. Com estas palavras, desejo a todos os telespectadores da querida REDEVIDA de Televisão uma Feliz e Santa Páscoa. 

 Padre Fernando José Carneiro Cardoso
*Licenciado em Filosofia e Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Entrevista de Dom Matias Patrício
Arcebispo da Arquidiocese de Natal/RN


 “Nossa fé se fundamenta na Páscoa”



SARA VASCONCELOS - repórter


Esta foi uma semana de reflexões e festividades para os cristãos. Tudo em preparação para a Páscoa. Qual a importância desta data para a Igreja Católica?

A nossa fé se fundamenta nisso. Se Cristo não tivesse ressuscitado nossa fé não teria sentido, mas ele ressurgiu. Tudo que ele disse, se cumpriu. É palavra de vida. A Páscoa, a ressurreição é a razão do cristianismo. A liturgia durante a Semana Santa faz a ligação entre a morte e a ressurreição, porque é preciso passar por ela. É a celebração do mistério pascal: a paixão, a morte e a ressurreição. Porque a obra redentora de Jesus não se encerra na Cruz, mas continua na vitória da ressurreição. Todo domingo é um domingo de páscoa. E esperamos que nessa celebração da vida, todos se empenhem em implantar no mundo a cultura de vida e não de morte. Cristo ressuscitou e está vivo. E quis de uma maneira especial ficar no meio de nós, por meio da Eucaristia. A preparação, para este dia, inicia bem antes.

Ultrapassa a Semana Santa?

Esta vivência de fé é trabalhada durante toda a quaresma, desde a quarta-feira de cinzas, com o convite ao jejum, abstinência de carne, oração. Somos convidados a reviver desde a saída de Betânia à entrada em Jerusalém, onde vai acontecer o martírio. Onde foi o trono da glória dEle que é a cruz. Tudo suportado como servo sofredor, para cumprir o plano de Deus. A Semana Santa recorda e nos faz refletir sobre o significado do amor de Deus pela humanidade.

Ao contrário de anos atrás, é comum hoje se trocar o “guardar os dias santos” pelo curtir o feriadão da Semana Santa. Como o senhor vê esse enfraquecimento de tradições?

 Essa troca é uma fraqueza do não viver bem a sua fé. Hoje em dia, a Igreja pede não só a prática de costumes tradicionais como o jejum, esmola, a oração, a escuta atenta da palavra de Deus. Mas a partir dos anos 60, com a campanha da fraternidade que começou aqui no Rio Grande Norte e hoje é da Igreja do Brasil, a ação social concreta.  Quando se troca esse período de reserva, de meditação, de preparação para a comemoração do dia senhor faz disso algo que contraria os princípios. O feriadão  pode resultar em acidentes, brigas, mortes, por conta dos excessos. 

Essa mudança se deve a quê?

O mundo mudou. Hoje se busca muito o bem-estar, o individualismo, o prazer, o que satisfaz na hora. Sem a preocupação de pensar em algo superior a nós, em alguém que nos criou e deu a vida e tem um projeto de vida para nós.

Fonte: Tribuna do Norte

RESSUSCITA-ME !




Talvez, quem sabe, um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
eles a ressuscitarão
O século 30 vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Porque sou poeta e ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais exista amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se por uma casa ou um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai
Seja, pelo menos, o universo
E a mãe
Seja, no mínimo, a terra
A terra, a terra

 Interpretação de Gal Costa.
Adptação de Caetano Veloso para a poesia de Vladimir Maikovski.

Dia de ressurreição é sexta-feira


Deixemos as questões da Igreja e ocupemo-nos do cotidiano.Os cristãos celebram a ressurreição no domingo de páscoa, uma só vez ao ano. No Brasil, curiosamente, a ressurreição acontece todas as sextas-feiras. É a hora em que peões e operários terminam o trabalho estafante da semana. Ai se reunem alegremente em grupos nos botequins e nos restaurantes populares para tomar a sua cerveja.

Tudo é sorriso e amabilidade. A faladeira é grande. Nas mesas as garrafas de cerveja se sucedem. E come-se coisa barata mas gostosa: asas de frango com farofa e molho à campanha; churrasquinho de carne com fritas. E no fim de tudo meio copo de cachaça. E a saideira demora de acontecer. São várias porque sempre há alguem que paga mais uma rodada.

Os rostos se transfiguram. Percebe-se pelos corpos gastos, pelas caras cansadas e pelas roupas surradas que são pessoas exploradas. Foram submetidas durante toda uma semana à dura faina da humilhante produção capitalista. Esta não valoriza a criatividade do trabalhador.O capitalismo não ama a pessoa, apenas sua força de trabalho, seus músculos, sua cabeça, sua habilidade e especialmente sua produtividade.

Mas a sexta-feira é o dia em que a vida dá o troco. Acontece a ressurreição. Os seres humanos recuperam sua humanidade perdida, redimidos das cadeias que os prendem a quatro paredes, às máquinas melancólicas, aos escritórios higienizados com seus computadores frios.

Conversa-se de futebol. Cada um é mestre nessa arte. É a um tempo treinador e critico dos treinadores e dos craques. Depois passa-se à mulheres. Contam-se casos reais e inventados, piadas, vazão da libido reprimida. E as "popozudas" e as "gostosas" merecem muitos comentários. Às vezes, fala-se de política, para injuriar os governos, para esculhambar o Lula, embora depois acabem votando nele.

Mas o bom mesmo é a conversa fiada, a conversa mole, a gratuidade de falar, rir, tomar cerveza, beliscar comidas. Alguns mais entusiasmados e já sob o efeito da cachaça falam mais alto. Outros até abraçam o amigo ao lado como se fosse sua namorada. Só falta beijá-lo.

Eu reparo as figuras: aquele negro com um corte no rosto revela uma bondade irradiante e doce; sorri com uma doçura que é já primícias da verdadeira redenção no paraiso do proletariado; esse queria tê-lo como irmão. Aquela outra mulher gorda, bebe, belisca asas de frango, fala alto; seu olhar é penetrante; reparte o vinho barato – Sangue de Boi – com a companheira em frente; esta seria uma amiga que gostaria de ter. Tudo aqui é leveza, alegria, própria da ressurreição. Diz-se que no Ocidente o sorriso só entrou após a fé na ressurreição, quer dizer, com a vitória da vida.

Eu mesmo num canto peço minha porção de asas de frango com farofa, tomo minha cerveza e fico observando. E me enlevo. A opressão não consegue matar a vitalidade da vida.

Quando vou pagar, depois de repetir o prato, vejo que é uma ninharia. Pago quase o dobro em gojeta. E saio emocionado em direção ao carro, chorando de alegria por assistir a ressurreição acontencendo, testemunhando a vida invencível e indestrutível dos pobres e dos oprimidos, o nosso povo, os preferidos de Deus. A ressurreição acontece de novo, cada sexta-feira, na esperança de que um dia vire um eterno domingo de páscoa. Essa fé vale pra mim mais que todas as discussões sobre o novo Papa.

Leonardo Boff - Teólogo e escritor

HUMOR !


Na noite de terça-feira, 19/04/11, atores encenavam a Paixão de Cristo no Largo do Carmo durante a Semana Santa de São João del Rei/MG, quando um sujeito, indignado, resolve roubar a cena e agir em defesa de Jesus Cristo. 

Imagem: João Paulo Guimarães para O Blog do JP.