Dois amigos estavam sentados fora da porta de casa conversando. Ouviram dizer que certa lagoa, pouco distante, estava cheias de grandes peixes. O primeiro começou a agitar-se. Procurou saber se a notícia era verdadeira, e foi conversar com os pescadores, um por um, a fim de conhecer qual a melhor isca para pegar aqueles peixes. O segundo foi imediatamente buscar o seu instrumento de pesca; ao longo do caminho foi catando algumas minhocas e, ao chegar à beira do lago, jogou o anzol. Quando o primeiro chegou, o segundo já tinha pescado um balde cheios de peixes grandes. Para o primeiro, sobraram só alguns peixinhos.
Estou quase envergonhado de ter contado essa pequena história, quando no evangelho deste domingo o próprio Jesus nos oferece a maravilhosa parábola do bom samaritano. Eu quis apenas apresentar um exemplo de como nós agimos, muitas vezes, ou melhor, como deixamos de agir.
Somos todos mestres nas conversas. Com as palavras apresentamos tudo novo, extraordinário e em perfeito funcionamento. Isto vale para um time de futebol, para um governo, para uma paróquia. Parece que muitos sabem sempre o que é certo e deve ser feito; e se as coisas não funcionam, é porque eles não foram chamados a dirigir. Claro que tudo isso também faz parte da nossa convivência na sociedade. Não nos cabe só o direito de expressar as nossas opiniões, mas temos, também, o dever de colaborar com o funcionamento da sociedade. Quando as pessoas conversam, criticam, dão palpites, é um bom sinal: ainda tentam pensar e sonhar algo de melhor. Muito pior seria a indiferença, a não participação, o não votar, por exemplo.