Vos peço Senhor que me guie agora
Nas palavras que saem da minha boca
Que fale o silêncio, não minha voz rouca
E que a vós o teu perdão implora
Desde hoje e sempre como em outrora
Neste meu sentimento quão sofrido
Desses erros que tenho cometido
Onde quem mais sofre é o meu coração
Venho aqui a vós pedir-lhe perdão
Por isso, a vós, suplico arrependido!
Busco cumprir por este mandamento
Que é todo em decassílabo feito
Onde procuro agora ser perfeito
Pra ajeitar meu direcionamento
Quando chegar a verve no momento
Vou seguindo a metrificada trilha
Porque sinto que meu ser todo brilha
Querendo criar a minha canção
Que pode servir até de oração
Posto que sou poeta, jamais ilha.
Não consigo cumprir Teus Mandamentos
E passo em decassílabo a escrever
Ando a duvidar até do meu crer
E assim tenho vivido alguns tormentos
Eu vos peço, meu Senhor, os teus alentos
Pois desacredito na lei humana
Posto que, ela, a todos nos engana
Criada em detrimento só de alguns
Ficam de fora as pessoas comuns
E o poderoso pousa de bacana.
Eis, em decassílabo, o meu poema
Pra ver se encontro algum discernimento
Em nome de meu fértil sentimento
Afirmando de vez o meu dilema
Que vós, Senhor, meu Deus, és o meu tema
Por só acreditar em Ti demais
Indo contra mim, menos meus rivais
Porque vós sabeis todos meus caminhos
Em que vaguei semeando os espinhos
Assemelhando-me aos marginais.
M. C. GARCIA é poeta e filósofo
23/12/2008
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