sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

RAIVA EM CINZAS

O que é a raiva? A raiva é uma "caixinha de surpresa" que, muitas vezes guardamos no fundo do nosso coração para nós mesmos. Isto é, geralmente, de forma inconsciente, por sermos artificialmente vingativos e guardarmos rancor com facilidade. Aquele que não quiser ser surpreendido por si próprio com a tal "caixinha de surpresa" que procure eliminar de uma vez por todas a raiva que lhe aflige a vida, a alma. Porque a raiva que às vezes possuímos, nem sempre sabemos o que nela contém em sua essência. Sabemos apenas, para que fim a desejamos utilizar, mas desconhecemos por total os efeitos, os transtornos que ela pode nos causar à nossa própria existência. É a raiva um vírus criado pelo próprio sentimento humano - o laboratório do mal - o qual tenta corromper, a qualquer preço, a qualidade inata de sermos bons. Tal vírus, que corrói, que trucida, que mutila os sentidos do ser...

Se a raiva, um dia, chegar a sua vida - a pior das raivas. E ela quiser se apossar do seu coração e quiser fazer morada, não a deixe, a expulse abruptamente e jamais deixe que isso aconteça. Faça de tudo para se ver livre dela, e se isso vir a acontecer, a elimine por total de seu coração, da sua vida, pois toda e qualquer raiva, por menor que seja, é nociva à alma. É a raiva uma coisa desagradável e qualquer teor dela no coração é maléfico à alma e faz perder o que possuímos de mais belo e harmonioso em nossa vida - os nossos sentidos. Pois são estes que nos faz sentir bem, alegres e saudáveis e que nos faz com que vivamos harmoniosamente felizes.

Transforme a sua raiva em cinzas. Desabafe o seu ódio, o seu rancor e elimine, de uma vez por todas, o vírus que consome o seu coração, a sua alma e os seus sentidos. Para eliminar mesmo a sua raiva escreva tudo que sente do fundo de seu âmago; escreva sobre um papel, um pedaço qualquer de guardanapo, revista, jornal aproveitando o mínimo de espaço existente, mas escreva. Escreva preenchendo todos os espaços do papel e esvazie do seu íntimo toda a sua raiva. Escreva, escreva, escreva até não mais ter o que escrever, o que desabafar. Escrevendo tudo que sentir, mas tudo mesmo, sem deixar sequer vestígio algum e absolutamente nada. Até sentir-se totalmente aliviado, com a alma calma e a consciência tranquila; e a visão, a audição, a respiração, a pele, o olfato a se encontrarem em perfeita harmonia, fazendo assim o eu-profundo gozar da eterna paz que só o amor pode proporcionar. E, quando se sentir profundamente de que não há mais o que desabafar e as lacunas do papel já estiverem por completo preenchidas. Pegue de tudo que escreveu, que desabafou, mas de tudo mesmo, com muito cuidado para não se esquecer, nem de deixar pelo chão esquecido, sequer qualquer pedaço desses escritos e com o auxílio de um fósforo em chamas, se deleite, assistindo prazerosamente, sem rancor, sem ódio a sua raiva transformar-se absolutamente em cinzas e esvair-se numa nuvem de poeira ao vento e, assim, perder-se no infinito do esquecimento.....



 M. C. Garcia (Natal – RN)

22/09/94

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